Por que o Brasil não é o País da Energia Solar?

O Brasil, desde 2012, vem se ajustando a política de incentivo a micro gerador de energia limpa com captação de energia solar, a chamada energia fotovoltaica. Mas ainda estamos muito aquém dos países que hoje são referência nesse segmento como Alemanha, EUA e Japão.

Vivemos esse ano de 2016 uma crise energética, com o aumento exagerado na conta de energia. Como se não bastasse, o Governo Federal está passamos a estimular cada vez mais esse consumo na nossa base, aumentando assim o nível de emissão de CO2 e consequentemente da conta do consumidor, pois além de ser a mais poluente de todas as fontes que possuímos é a mais cara.

Produzir a própria energia já poderia estar se tornando um bom negócio no Brasil, basta alguns pouco incentivos, verdadeiros, do governo em tecnologia e legislação. O que temos já é um avanço, mas longe do que pode chegar.

Energia Solar

Veja os benefícios desse sistema:

  • Redução de perdas por transmissão e distribuição de energia, já que a eletricidade é consumida onde é produzida;
  • Redução de investimentos em linhas de transmissão e distribuição;
  • Edifícios com tecnologia fotovoltaica integrada não exigem área física dedicada;
  • Edifícios solares fotovoltaicos fornecem os maiores volumes de eletricidade nos momentos de maior demanda (Ex.: o uso de ar-condicionado é maior ao meio-dia no Brasil, quando há uma maior incidência solar);

Observando todos os benefícios da energia fotovoltaica, muitas pessoas podem se perguntar: por que então ela ainda não é largamente utilizada?

Os nossos gargalos são custo e legislação atual:

Veja a resolução da ANEEL- Agencia Nacional de Energia Elétrica, que regula o comportamento do micro produtor no Brasil.

Resolução 482 – Aneel 17, abril de 2012.

Capitulo II

  • 1º Para fins de compensação, a energia ativa injetada no sistema de distribuição pela unidade consumidora, será cedida a título de empréstimo gratuito para a distribuidora, passando a unidade consumidora a ter um crédito em quantidade de energia ativa a ser consumida por um prazo de 36 (trinta e seis) meses.

II – o consumo de energia elétrica ativa a ser faturado é a diferença entre a energia consumida e a injetada, por posto tarifário, quando for o caso, devendo a distribuidora utilizar o excedente que não tenha sido compensado no ciclo de faturamento corrente para abater o consumo medido em meses subsequentes

VIII – eventuais créditos de energia ativa existentes no momento do encerramento da relação contratual do consumidor serão revertidos em prol da modicidade tarifária sem que o consumidor faça jus a qualquer forma de compensação.

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Percebemos que o nosso governo vem falando em diversificação da matriz energética em sustentabilidade ambiental, mas não promove ações concretas para esse estimulo ao micro produtor fotovoltaico, pois essa fonte não tem sido contemplada efetivamente por políticas públicas específicas de longo prazo e pela legislação em vigor, apesar do país já ter iniciado incentivos a outras fontes renováveis de energia através do PROINFA17 e de possuir um vasto potencial para a aplicação dessas fontes. No Capítulo II da resolução 482 da ANEEL, podemos observar que temos dois pesos e duas medidas para consumo x geração. Quando você é micro gerador e tem uma geração maior que o consumo, a diferença de energia gerada vira crédito e sua energia vai para o sistema sendo essa repassada a outro consumidor e faturada pela concessionária gerando lucro, o inverso já não é verdade.

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Com relação ao custo, este ainda continua elevado em comparação com as fontes tradicionais de energia. No segundo semestre de 2013, a instalação de sistema fotovoltaico na Alemanha estava em torno de 1,69 mil euros o quilowatt de potência (kWp). No Brasil, o custo varia de 7 a 10 mil reais por kWp.

Veja como funciona um sistema fotovoltaico na prática, segundo o artigo do André Fava:

“Existem dois tipos de placas: as que utilizam a luz solar para o aquecimento de água e as que utilizam essa luz para a geração de energia elétrica. O primeiro tipo consiste em uma superfície escura que absorve a energia do sol e a transforma em calor. Já o segundo tipo converte a energia do sol diretamente em eletricidade. É composta de células solares feitas de materiais semicondutores (silício, em geral). São as chamadas células fotovoltaicas. Quando as partículas da luz solar (fótons) colidem com os átomos desses materiais, provocam o deslocamento dos elétrons, gerando uma corrente elétrica, usada para carregar uma bateria. Essa corrente é coletada pelos contatos metálicos nas superfícies. Dependendo do processo de fabricação utilizado, as células solares podem ser quadradas ou redondas.

As placas são encapsuladas com materiais plásticos (E.V.A. ou P.V.B.), para proteger as células solares. O lado onde a radiação incide é coberto com vidro temperado e a parte posterior com plástico Tedlar. Finalmente o módulo é emoldurado com uma estrutura de alumínio anodizado, que o protege contra as intempéries.

Como a tensão fornecida por cada célula é apenas uma fração de Volt, convém conectar várias células em série para obter-se uma tensão que possibilite carregar uma bateria. Este conjunto de células conectadas é chamado módulo fotovoltaico. Normalmente são utilizadas de 28 a 36 células de silício cristalino em cada módulo, dependendo do local onde os sistemas serão instalados (clima quente ou frio). Desta forma, temos que quando o módulo é exposto ao sol, ele gera energia elétrica em corrente continua, com tensão máxima variando entre 15 e 20 V, carregando, assim, uma bateria de 12 V (descontando as perdas devido aos cabos e diodos de bloqueio).

Para alcançarmos a potência desejada, convém ligar vários módulos em série. Isso depende muito do local onde está sendo instalado o sistema e a aplicação para a qual ele estará submetido. A esse sistema dá-se o nome de painel fotovoltaico.”

 

 

 

 

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